Frincha
Naquela frincha doida que a última chuva abriu
Bisbilhotei os amores feitos no alheio.
Me deu uma vontade danada de seguir rasgando
O amor dos outros em paredes, ou no céu dos corpos.
Foi só meu jeito de dizer que pelas frestas,
Eu enxerguei poesia onde havia uns intercursos,
Daquela gente semostradora.
Foi gigante a fúria da chuva, e maior ainda o feito,
No quente de dentro das casas partidas.
Onde uns partidos se preenchiam de virtudes.
As menos vistas, as mais experimentadas.
Por gente que chove dentro. Fora do lado de dentro.
Por dentro. E fora. De dentro. E de fora.
Ô de fora, tô dentro!
Cyntia Pinheiro
Enviado por Cyntia Pinheiro em 26/12/2024